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Saúde Idosos

Como ajudar os idosos que estão sofrendo com o isolamento na pandemia

Algumas dicas

03/04/2021 às 11h59
Por: Eliane de Fatima Bruger Racoski
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Imagem da net
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Evitar o excesso de informações e pedir ajuda se precisar estão entre as recomendações principais.

            Para conter a proliferação do novo corona vírus, a população tem lidado com novos hábitos, que incluem não sair de casa a fim de reduzir o risco de contágio com a Covid-19. Os idosos, que fazem parte do grupo de risco, o que significa que eles têm maiores chances de desenvolver a forma mais grave da doença quando contaminados pelo corona vírus, (a  maioria das mortes confirmadas pela doença acontece em pessoas acima dos 60 anos – com a maior taxa entre pessoas com mais de 80 anos), são os que mais vêm sofrendo com o isolamento social. No entanto nesse momento precisam, então, manter o isolamento social rigorosamente, o que pode ter reflexos da saúde mental.

            Para tentar apaziguar a quarentena da ''melhor idade'', vamos dar dicas de atividades que os idosos podem fazer em casa para exercitar a memória, a aptidão e, principalmente, para combater a solidão.

            Com o isolamento e contexto da pandemia afetou a saúde mental dos idosos. A pandemia trouxe a vivência de uma situação desconhecida, sem precedentes. Mudou abruptamente a rotina, os planos, os hábitos da população. Também gerou medo e a necessidade de adotar medidas que reduzam os riscos de contaminação por uma doença altamente transmissível e potencialmente fatal. Assim, o distanciamento social, as mudanças na rotina e o estresse causado pelos cuidados necessários na prevenção e pelo excesso de informação impactam na saúde mental dos idosos e podem, ainda, agravar o quadro daqueles com doenças psiquiátricas prévias. Além disso, alguns estudos já realizados com esse grupo na quarentena evidenciaram aumento da prevalência de sintomas de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, irritabilidade, raiva e medo – que podem, inclusive, persistir por anos. 

 

Quais seriam os sinais de alerta para as famílias de que o idoso está deprimido ou ansioso por causa do isolamento?

Os sinais de alerta estão relacionados com a intensidade dos sintomas e o impacto na rotina dos idosos. É preciso buscar ajuda profissional se forem observados os seguintes sintomas por mais de duas semanas: 

  • Sentimentos de tristeza, desânimo, falta de energia, pensamento negativo, falta de esperança;
  • Mudanças significativas de comportamento, como irritabilidade, angústia, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
  • Alterações no sono, como insônia ou excesso de sono;
  • Alterações no apetite, com perda ou ganho de peso;
  • Diminuição da autoestima, quando há descuido da aparência, aspecto de cansaço, de fadiga, de perda de energia;
  •           Dificuldade de concentração, de raciocínio e perda de memória; 
  •          Pensamento recorrente de morte, quando o/a idoso/a manifesta desejo de morrer e falta de perspectiva. 

 Como as famílias devem agir ao identificar esses sinais?

       Em primeiro lugar, se aproximar mais desta pessoa, ver de que forma podem acolher os medos dela, dar orientação e explicar por que precisamos praticar o isolamento, além de esclarecer os benefícios de seguir as medidas de proteção contra o vírus. Também é importante buscar ajuda profissional especializada caso os sintomas relatados anteriormente persistam por mais de duas semanas. 

 Quais medidas práticas ajudam a evitar problemas de saúde mental nos idosos em isolamento?

  •          Manter uma rotina regular e saudável, com boa alimentação e atividade física, mesmo que não seja na intensidade de antes;
  •       Incluir na rotina atividades prazerosas para o/a idoso/a, como leitura, música, algo com que ele se identifique;
  •          Buscar maneiras para o/a idoso/a ajudar em casa, se sentir útil ou incentivá-lo/a a buscar fazer algo que lhe dê propósito; 
  •          Estimular a manutenção dos laços sociais e da interação com a família por videoconferência ou mensagens;
  • ·       Manter o uso das medicações regulares e buscar avaliação médica, caso apareça algum sintoma novo;
  • ·       Acolher os medos e auxiliar nas dúvidas para que possam entender melhor o momento e se sentirem mais seguros nesse contexto de mudanças causado pela pandemia;
  •     Exercitar a espiritualidade. Estudos mostram que as pessoas que nutrem crenças têm mais equilíbrio na conexão entre mente e corpo, têm o pensamento mais positivo e reagem melhor às adversidades. A crença ajuda ainda no processo de envelhecimento saudável, pois você se conecta com algo que não é só da cognição.
  •       Cuidado com o excesso de informações: Tente não ficar conectado o tempo todo com as notícias, isso aumenta a sensação de incertezas e aumenta preocupações. Se perceber que isso te deixa mal, dê um tempo e vá ver ou fazer coisas que gerem bem-estar. Filtre a quantidade e qualidade das informações que recebe e, se possível, partilhe histórias positivas.
  •         Cuide do seu corpo: Tente praticar exercícios e se alimentar de forma saudável. Relaxar, praticar meditação e alongamento, além de evitar o abuso de álcool ou drogas fazem diferença na saúde física e mental.
  •         Faça coisas que gosta: Ouvir uma boa música, fazer um curso on-line, ler aquele livro esquecido ou assistir aquela série que te recomendaram. Aproveite o tempo disponível para isso.
  •           Aproveite para colocar as coisas em ordem: Sabe aquela arrumação de armário, de gavetas, de arquivos e fotos do computador, de e-mails da caixa postal, das plantas da casa? Aproveite o tempo e faça coisas que possam ocupar e relaxar a sua mente.

         Essas são algumas dicas para os familiares e amigos poderem ajudar os idosos a manterem o equilíbrio emocional, mesmo diante das restrições do contexto da pandemia, e também quando é necessário procurar ajuda de um profissional de saúde.

         Cuidar de idosos é um ato de amor. Neste momento, em que eles estão vulneráveis a pandemia do corona vírus, é importante manter uma alimentação saudável e de qualidade.

         Preparar as refeições, cuidar da casa, brincar com o animal de estimação, estimula a atividade física sem sair de casa.

       Se ela ou ele fizer uso de medicação, tenha uma quantidade suficiente para duas semanas ou mais, mantendo acompanhamento à distância pela equipe de saúde.

       Com pequenos cuidados, você demonstra um grande amor! E cuide-se você também.

 

Eliane de Fatima Bruger Racoski

Psicóloga CRP: 08/12234

Fone: (45)99966-3648

 

 

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Eliane de Fatima Bruger Racoski
Eliane de Fatima Bruger Racoski
Sobre Eliane de Fatima Bruger Racoski Psicóloga com ênfase na psicanálise e Palestrante, Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Especialista em Psicologia do Trânsito. Cursando pós graduação em Arteterapia e Neuropsicologia. Possui experiência com atendimento clínico com ênfase na Psicanálise, na Ciretran na realização de Avaliação Psicológica de candidatos para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Atuou como docente na pós-graduação em Psicopedagogia na Faculdade de E
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