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Saúde Utilidade Pública

Alguém quer saber como estão os professores e as professoras durante a pandemia?

Pesquisadora Lara Marin alerta para a sobrecarga de trabalho, o estresse e – sempre que voltam as aulas presenciais – o risco de vida dos educadores.

08/04/2021 10h50 Atualizada há 6 dias
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Por: Giovanna Trevelin Fonte: Lara Marin - comuniquese1/Press 2 Play
Em meio ao abre e fecha das escolas durante o isolamento social, a vida desses profissionais alterou-se significativamente. Foto: Bruno Concha/Secom
Em meio ao abre e fecha das escolas durante o isolamento social, a vida desses profissionais alterou-se significativamente. Foto: Bruno Concha/Secom

Apesar de ser considerada uma profissão importante e necessária, ser professor/a no Brasil significa falta de reconhecimento social, de autoridade profissional, e envolve lutar diariamente por melhores salários e condições de trabalho. Como se isso não bastasse, mais uma luta surge na pandemia: por melhores condições sanitárias nas escolas e por vacinas. 

Em meio ao abre e fecha das escolas durante o isolamento social, a vida desses/as profissionais alterou-se significativamente. Há quem diga que professores/as sofrem menos estresse por não estarem mais em sala de aula diariamente, no entanto eles/as relatam que a adaptação ao modo de trabalho e a insegurança sobre o retorno presencial nas escolas, desprovidas de condições sanitárias adequadas, fez com que o nível de estresse aumentasse.

Existe escolas públicas que possuem alguma infraestrutura e organização para receber estudantes, ou aquelas que mal têm sabão para lavar as mãos. Alguns governos locais se esforçam para conseguir mais recursos, outros desviam tais recursos ou apenas investem em propagandas enganosas do que as escolas – na realidade – não recebem, para tentar justificar sua abertura em meio ao caos administrativo e econômico em que vivemos.

Nas escolas privadas, famílias com condições de manter seus filhos em casa, preservando suas vidas e de toda a comunidade, se organizam – em meio a viagens internacionais e fins de semana na fazenda – com eventos, carreatas e camisetas, movimentando seu poder social, político, econômico e marqueteiro para que as escolas abram, justificando o pagamento de mensalidades exorbitantes. “Tô pagando, quero o serviço completo.” 

Enquanto isso, professores/as seguem roucos/as ao reafirmar que educação não é mercadoria, como dizia Paulo Freire, e esgotados/as de tanto repetir o básico com relação à falta de segurança sanitária nas escolas, e de lutar por suas vidas, vacinas e melhores condições de trabalho.

Toda essa carga mental e essa responsabilidade permeiam suas demandas diárias de trabalho e são caladas e minimizadas quando o assunto é o retorno às aulas presenciais. Se professores/as decidem se colocar nessa pauta que lhes é de extrema relevância, e onde deveriam ter alguma autoridade e voz em tais decisões, são rapidamente excluídos/as e tachados/as de preguiçosos/as por quererem se preservar dentro de suas casas.

Essa é uma categoria que não se conforma em ser vista como tão importante na Educação ao mesmo tempo em que é desvalorizada e desqualificada por governos e pela sociedade. Esses profissionais também sofrem com as adaptações e os dramas que o distanciamento social nos impôs, mas não aceitam que brinquem com suas vidas e corram o risco de adoecer gravemente por uma falta de seriedade e organização no combate à pandemia. Querem respeito. Querem vacina.

 

SOBRE LARA MARIN

Autora do livro “A Cultura nos Livros Didáticos” (Editora Appris), Lara Marin é mestre em Estudos Culturais pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Além de sua atuação como pesquisadora, é autora de projetos e materiais didáticos desde 2008.

 

 

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