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Crônica: O voo da mamangava

Por Rodrigo Alves de Carvalho

12/04/2021 07h40
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Por: Rodrigo Alves de Carvalho
Crônica: O voo da mamangava

Existem algumas coisas que aparecem do nada e acabam tirando nossa atenção, seja em casa, no trabalho, na escola ou qualquer outro local, que neste caso, um ambiente fechado. Estamos compenetrados assistindo TV, concentrados em nosso trabalho ou ouvindo o professor explicar uma matéria e de repente surge uma atabalhoada e perdida mamangava.

Nossos olhos, nossa atenção e todo nosso corpo perde a concentração anterior e se deixa hipnotizar pelo voo da mamangava.

Voando de um lado para o outro, ziguezagueando sem parar e dando rasantes em objetos ou pessoas, a mamangava faz com que olhos e pescoços sincronizem seus movimentos, e como um maestro do voo, a mamangava rege esse ritmo de olhares, essa dança de cabeças.

Muitos acompanham o voo descoordenado da mamangava por medo de um ataque furtivo. As vezes ouve-se até gritos de meninas histéricas com medo de que o inseto possa atacar e picar. Particularmente nunca vi uma pessoa ser picada por mamangava, já escutei relatos de tal infelicidade e sei que esse bicho possui um ferrão perigoso, mas nessas circunstâncias em que a mamangava adentra em um recinto e sem mais nem menos vai picando alguém, não acredito ser verdade.

E toda vez que uma mamangava entra em algum ambiente em que estou presente, me lembro da época de escola quando a mamangava entrava na sala de aula e o burburinho começava. Queríamos saber por que havia entrado: “Ela entrou para procurar um local para fazer seu ninho, já que a mamangava mora em buracos, principalmente em madeiras”. “Entrou na sala de aula porque procura comida para alimentar suas mamangavinhas”.  Ou “Entrou simplesmente para causar pânico e terror nos alunos”. Mas a resposta mais sensata e mais batida sempre foi a mesma “Entrou porque nessa sala de aula a porta ou janelas estavam abertas”.

Incrivelmente, a mamangava é um inseto que não se cansa, fica voando pra lá e pra cá sem parar para tomar um fôlego ou analisar o local onde se encontra objetivando descobrir uma saída. Ao contrário, nós é que cansamos. Depois de um tempo olhando e acompanhando a mamangava voar para todo lado, acabamos desistindo da esperança de que alguma coisa diferente possa acontecer e geralmente quando nos lembramos dela, a danadinha foi embora.

Volto a me lembrar da época da escola onde novamente a questão intrigante voltava à tona: “Por que a mamangava saiu da sala de aula? ” E a resposta mais batida e manjada de todas era: “Saiu porque não sabia a tabuada do oito”.

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Sobre Crônicas
Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores. Desde julho de 2019 vem publicando suas crônicas no Jornal Integração. E-mail: [email protected]
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