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Crônica: Colchão de Investimento Privado

Por Rodrigo Alves de Carvalho

10/05/2021 07h42
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Por: Rodrigo Alves de Carvalho
Crônica: Colchão de Investimento Privado

Depois de anos labutando na roça, o velho Olegário conseguiu juntar um bom dinheirinho com a pequena lavoura e a criação de porcos.

Preocupado com aquele dinheiro todo guardado na casinha simples e humilde no meio do mato, sem segurança alguma e sabendo que existiam investimentos bancários para valorizar aquele dinheiro, o filho de seu Olegário conseguiu após muita resistência convencer o desconfiado matuto a ouvir propostas de investimentos num banco da cidade.

Após pedir que Olegário e o filho se sentassem e oferecer um cafezinho, o gerente muito prestativo vai direto ao ponto.

- Seu Olegário, entendo que o senhor não goste e não entenda muito dessas coisas de banco como juros, taxas, aplicações etc., mas o seu filho me contou que o senhor guarda uma considerável quantia em sua casa e lhe garanto que investindo no nosso banco o dinheiro estará seguro e rentável.

O velho Olegário começou a franzir a testa:

- Seu gerente, vou ser honesto. Só vim aqui ouvir o que tem pra me dizer porque meu filho me encheu o saco. Por mim o dinheiro fica lá em casa.

O gerente sorriu:

- Mas aqui o dinheiro vai render muito, por exemplo, se o senhor aplicar no Tesouro Selic, que é um título público pago ao investidor pela taxa Selic...

Olegário coçou a cabeça:

- Desculpa seu gerente, mas selim eu conheço só de bicicleta.

Uma grande risada do gerente e o rosto vermelho de vergonha do filho de seu Olegário encolhido na cadeira. O gerente continua:

- Tudo bem seu Olegário, e se o senhor aplicasse em CDB, onde estaria emprestando dinheiro ao banco e é remunerado por isso...

 Olegário se levanta enraivecido:

- CDB, PMDB, PCB, eu não quero saber de política não. Desse jeito vou deixar meu dinheiro lá em casa mesmo, onde sei que corrupto nenhum vai pôr a mão e se alguém fizer gracinha minha doze cospe fogo!

O gerente tentou argumentar sobre aplicar em Letras de Câmbio, Fundos de Investimentos e até na Poupança, mas o velho já estava decidido onde investir seu dinheiro.

- Desculpa seu Olegário, mas só porque o senhor não entende dessas palavras que precisa desconfiar de nossos investimentos!

Olegário então sorri:

- Posso não entender. Mas vou aplicar meu dinheiro no C.I.P. lá em casa.

O gerente arregala os olhos por nunca ter ouvido falar dessa sigla:

- O que é C.I.P.?

 Olegário responde com uma piscadela:

- Colchão de Investimento Privado.

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Sobre Crônicas
Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores. Desde julho de 2019 vem publicando suas crônicas no Jornal Integração. E-mail: [email protected]
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