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Mulheres Plurais Agricultura

A mulher que está tornando o cultivo de lúpulo na Ambev uma realidade

Primeira brasileira doutora em Produção Vegetal comanda projeto de fomento à cultura de lúpulo da Ambev, em Santa Catarina. Mariana Mendes Fagherazzi foi a primeira mulher a defender uma tese sobre a matéria-prima no país

12/05/2021 16h08 Atualizada há 1 mês
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Por: Giovanna Trevelin Fonte: Atendimento à imprensa | Loures
Atendimento à imprensa | Loures
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São Paulo, 12 de maio de 2021 - Que as mulheres tiveram um papel fundamental na história da cerveja, isso todo mundo já sabe - ou, pelo menos, deveria saber. Registros históricos indicam que além de serem as responsáveis pela produção da bebida durante muitos anos, foram elas quem introduziram o lúpulo na cerveja. No Brasil, as condições climáticas nunca foram favoráveis para o cultivo do insumo, o que tornou necessária quase toda sua importação pela cadeia cervejeira nacional até hoje. De lá para cá, não houve mudanças significativas que alterassem as circunstâncias de clima e tempo do país, mas o trabalho realizado por pesquisadores brasileiros foi capaz de desafiar a natureza ao criar um ambiente propício para o desenvolvimento saudável e de qualidade de lúpulo nacional.

Não bastasse o expressivo avanço em pesquisas e inovação no campo, o trabalho singular de uma brasileira tem chamado a atenção, entre outros motivos, pela excelência e ineditismo da especialidade científica. Mariana Mendes Fagherazzi, 32 anos, é a primeira mulher a defender uma tese sobre Adaptabilidade em Cultivares de Lúpulo, recebendo o título de Doutora em Produção Vegetal. Em 2019, a engenheira agrônoma foi convidada a desenvolver um projeto piloto de fomento e incentivo à cultura do insumo em Lages, Santa Catarina, onde hoje supervisiona todos os processos técnicos de plantio na Fazenda de Lúpulo Santa Catarina, da Ambev.

O projeto foi lançado pela cervejaria no início de 2020 com a proposta de fomentar o cultivo de lúpulo no Brasil. Desde março passado, a companhia já implementou uma lavoura experimental para testes de manejo e variedades, um viveiro com capacidade produtiva de 60 mil mudas ao ano e uma planta para o processamento do ingrediente. A iniciativa prevê contribuir não somente com o desenvolvimento de lúpulo na região, como também com o apoio direto a pequenos produtores, doando 100% das mudas produzidas, oferecendo auxílio técnico e toda a infraestrutura da cervejaria, incluindo o acesso à planta de beneficiamento do ingrediente e contrato de compra.

"Além de esse ser um grande marco para o país em termos de avanço na agricultura, é extremamente gratificante poder ter desenvolvido minhas pesquisas e tese em uma instituição de ensino pública e vencido as barreiras estruturais e sociais em um setor majoritariamente masculino. Eu sempre fui determinada em entregar o meu melhor resultado, ser uma profissional qualificada, e, assim, dar exemplo para outras pessoas que queiram seguir a carreira agrícola, independentemente de gênero", reflete Mariana Mendes Fagherazzi.

A profissional, que é também uma das fundadoras da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo), conta que o cultivo da planta no país não está relacionado à quantidade que poderá ser colhida, mas, sim, à qualidade do produto que chegará à casa do consumidor como cerveja. "Precisamos cada vez mais dialogar sobre as possibilidades que temos e explorar todas elas para garantir um ecossistema mais rico e menos dependente de insumos estrangeiros. Ainda hoje, pouco se fala sobre a cultura de lúpulo nas universidades, embora seja importante potencializar nossas forças nesse sentido e estimular e incentivar os pesquisadores brasileiros", sugere Mariana.
 
 
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