Terça, 03 de Agosto de 2021 07:17
45 99954 3000
Geral Reflexões

É possível forçar a cooperação no ambiente de trabalho?

Cooperar vai muito além de entregar tarefas em dia

14/06/2021 11h58 Atualizada há 2 meses
674
Por: Caroline Derschner Fonte: Lendo a Vida
É possível forçar a cooperação no ambiente de trabalho?

Observando minha colônia de Jataís, abelhas nativas sem ferrão, lembro de quantas vezes as abelhas serviram de exemplo para os humanos quando o assunto é cooperação. Olhando esses bichinhos não é difícil perceber como essa cooperação acontece  — e, aliás, é realmente o que mais salta aos olhos quando fazemos essa observação do ponto de vista material: tarefas sendo feitas, resultados sendo entregues, tudo funcionando bem ajustado, cada um no seu lugar e êxito completo no final: missão cumprida.

Em um instante, no entanto, sou arremessada em pensamento para outro lugar, bem longe dali: para os muitos processos e dinâmicas de grupos de organizações, empresas e projetos nos quais se versava sobre o mesmo tema: a busca por maior cooperação. 

Não foram poucos os jogos, encontros, rodas de conversa e reuniões extenuantes que presenciei que buscavam trazer a cooperação mais para perto do dia a dia de trabalho das  equipes e grupos. Esforços que, muitas vezes, seguiam a passos lentos, sem que no entanto se soubesse dizer com certeza qual a causa das dificuldades nesse sentido.


Paro por um instante. 

Volto às abelhinhas. Realmente a cooperação é o resultado material visível de seus esforços, mas... que mais há lá que não se pode tocar, medir nem escrutinar? O que exala do bater de suas asas, dos movimentos em sincronia, da diligência e autonomia de cada um destes serzinhos, cujo conjunto a nós parece apenas como mera “cooperação”? A palavra é: harmonia. 

Volto para o dia a dia das empresas. Observo, assustada, quantas vezes assisti a inúteis esforços em prol da cooperação, onde não havia nenhum rastro de harmonia. Onde a vontade individual dos membros do grupo não estava sintonizada nessa frequência e os desejos velados eram mais destrutivos do que construtivos. Veja bem, mesmo que tudo parecesse funcionar de forma cooperativa e todas as tarefas fossem entregues, todas as dinâmicas de grupo cumpridas e toda a cordialidade colocada em prática, ainda sim era nítido: em muitos desses lugares alguma coisa não fluía bem. 

Algo parecia "travar" o ar, as intenções, os olhares pouco confiantes e receosos, os corpos tensos, a maledicência escapando pelos cantos das bocas: não havia harmonia, nem o anseio por ela. Imagino quantas e quantas vezes tentamos imputar aos processos qualidades materialmente visíveis quando seu cerne, na verdade, está vazio. Seu conteúdo é “fake” como tanto dizemos por aí. 

Na minha visão, não há cooperação material verdadeira sem uma vontade interior clara nesse sentido, sem a harmonia sutil e invisível que sustente e dê sentido para os atos externos, pois ambos os processos estão entrelaçados. Entrelaçados pois o invisível nutre o desenrolar dos acontecimentos visíveis. No invisível vicejam as intenções, a vida interior, os pensamentos, sentimentos e a sintonia sutil de cada um, provendo o combustível da intenção a cada mover de músculo que faz qualquer coisa, desde apertar um botão, até construir arranha-céus.

Querer trazer cooperação para o visível sem fomentar a harmonia sutil no ambiente de trabalho, ou em qualquer outro ambiente, é continuar caminhando pela existência tão mal quanto temos feito: agindo sem compreender a origem de nossos repetidos insucessos. 

Olhemos ao redor: as respostas sobre aquilo que é verdadeiro estão próximas, começam em cada um, naquilo que, lá no fundo, sabemos, sentimos, observamos, se estivermos atentos.

Tentar mudar o mundo começando pelas aparências, sem tocar no interior do ser humano, continuará sendo tão inútil quanto esperar êxito do que é cultivado na estufa do caos. Vamos abrir as janelas, pensemos nas abelhinhas, nos moluscos do mar, nas minhocas da terra. Nenhum grão de pólen sequer é carregado sem que os insetos estejam integralmente devotados a esse ato. Por que nós, fazendo de maneira diferente, deveríamos obter de fato algum sucesso?

4 comentários
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lendo a Vida
Sobre Lendo a Vida
Caroline Derschner é redatora, formada em Comunicação Social pela PUC-SP e escreve para blogs e sites diversos. Participa de eventos online e presenciais sobre literatura, criação literária, espiritualidade e autoconhecimento. Possui dois trabalhos publicados no exterior em coletâneas literárias e atualmente mantém o site lendoavida.com.
Cafelândia - PR
Atualizado às 07h17 - Fonte: Climatempo
Poucas nuvens

Mín. 10° Máx. 24°

° Sensação
13.7 km/h Vento
69.2% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (04/08)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. Máx. 23°

Sol com algumas nuvens
Quinta (05/08)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 11° Máx. 25°

Sol com algumas nuvens
Anúncio
Ele1 - Criar site de notícias