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Pesquisa da UEL fomenta criação de Observatório da Violência contra as Mulheres em Londrina

Ao realizar os estudos sobre violência de gênero, com a demanda dos serviços que compõem a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica, foi possível perceber a necessidade de um sistema, um software, que unificasse todos os dados.

24/07/2021 às 15h27
Por: Giovanna Trevelin Fonte: Pedro Livoratti - Agência UEL
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Foto: Núcleo de Comunicação da Prefeitura – N.Com
Foto: Núcleo de Comunicação da Prefeitura – N.Com

Acordo de Cooperação assinado nessa quinta-feira (22) entre representantes da Prefeitura de Londrina, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) com a UEL resultou na estruturação e implantação do Observatório da Violência contra as Mulheres, que vai funcionar atrelado à Secretária Municipal de Políticas para as Mulheres auxiliando no planejamento de políticas públicas. O lançamento foi feito na Prefeitura de Londrina, na data que lembra o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio.

(Divulgação/Prefeitura).

O Observatório foi planejado a partir das pesquisas orientadas pela professora Sandra Lourenço, do Departamento de Serviço Social da UEL, que coordena o Grupo de Pesquisa sobre Violência de Gênero e Pesquisa Social e de Produção do Conhecimento, ambos do Departamento. Ao realizar os estudos sobre violência de gênero, com a demanda dos serviços que compõem a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica, foi possível perceber a necessidade de um sistema, um software, que unificasse todos os dados.

Diante dessa necessidade, pesquisadores da Engenharia de Controle e Automação e de Engenharia de Computação da UTFPR (Campus de Cornélio Procópio) idealizaram um sistema inédito de registro e de armazenamento de informações para atender aos casos Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM). A partir da implantação do software, a equipe da Secretaria de Políticas para Mulheres poderá ter agilidade no registro e na consulta dos dados, melhorando o atendimento às vítimas. Com a informatização será possível também realizar um planejamento condizente à realidade da violência contra a mulher em Londrina.


Reitor da UEL, Sérgio Carvalho, ressaltou a importância do conhecimento que gera políticas públicas estruturadas.

Segundo o reitor da UEL, Sérgio Carvalho, o Acordo de Cooperação firmado nesta quinta-feira representa um pouco da pesquisa realizada na academia, que pode subsidiar políticas públicas. “Entendemos que a tecnologia permitirá entender melhor o problema para uma intervenção mais eficiente”, considerou. O reitor explicou que este tipo de acordo é fundamental para a Universidade porque permite que o conhecimento gerado possa chegar à sociedade em forma de benefícios e políticas públicas estruturadas.

Para o prefeito Marcelo Belinati, o Observatório permitirá o combate mais efetivo contra esse tipo de violência. Ele explicou que Londrina tem hoje 4 mil mulheres com medidas protetivas. Em que pese a gravidade do problema, o prefeito afirmou que existe uma ótima estrutura para atendimento aos casos de violência como a Casa Abrigo, a Patrulha Maria da Penha, sob a responsabilidade da Guarda Municipal, a Casa Abrigo Canto de Dália e o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM). “A base de tudo é a informação. É preciso mapear para ter um planejamento e poder chegar à solução, por isso o Observatório é fundamental”, afirmou Marcelo Belinati.

O diretor de Relações Empresariais e Comunitárias da UTFPR, Felipe Haddad Manfio, lembrou que o trabalho de idealização e confecção do sistema teve início há dois anos, com a participação do professor Cristiano Marcos Agulhari, que  acompanhou as demandas das servidoras municipais do CAM, durante reuniões de trabalho. O objetivo foi entender os pontos que deveriam constar no software. Agulhari é engenheiro de Computação e coordena um projeto de extensão com dois alunos de Engenharia de Controle e Automação e de Engenharia de Computação na UTFPR.

Demanda

A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Liange Doy Fernandes, explicou que atualmente o CAM tem 13 mil fichas de atendimento de mulheres, que precisarão ser lançadas no sistema. A partir da informatização destas informações, explicou ela, será possível avaliar detalhes como tipo de violência, região mais afetada, idade das vítimas. A migração para o sistema vai possibilitar a extração de relatórios, com cruzamento de dados, aprofundamento de análises e monitoramento de ações.

 “O Observatório ajudará na produção do diagnóstico sobre a violência contra as mulheres no município, além de permitir um melhor conhecimento sobre as circunstâncias dos casos. Isso vai dar subsídios para a tomada de decisões no planejamento das políticas públicas para o enfrentamento da situação de violência doméstica, familiar e sexual em Londrina”, afirmou a secretária.

A intenção é que, futuramente, sejam colocados no sistema eletrônico também os dados de outros órgãos, como da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), do Instituto Médico Legal (IML), Ministério Público do Paraná, Tribunal de Justiça, da 17ª Regional de Saúde, e demais órgãos que atuam no combate a este tipo de violência.

Origem da iniciativa

O trabalho desenvolvido pela professora do Departamento de Serviço Social da UEL, Sandra Lourenço, foi fundamental para a iniciativa do Observatório. Foi a professora que articulou a ideia junto à Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, a partir da percepção da demanda da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica, Familiar e Sexual em Londrina.

Desde 2011 a professora acompanha e participa da Rede de Enfrentamento. Dessa forma foi possível conhecer as principais demandas nos serviços. “Cada órgão integrante da rede tem seu próprio sistema de dados e a nossa intenção é unirmos as informações, para que, de fato, consigamos fazer um cruzamento e mapearmos a violência de gênero, sem termos duplicidade de dados ou ausência de casos. O fenômeno da violência tem que ser enfrentando não só do ponto de vista da legislação, mas da articulação permanente entre os serviços e Londrina faz a diferença com uma rede muito bem estruturada no Município”, definiu a pesquisadora.

(Com informações e FOTO do Núcleo de Comunicação da Prefeitura – N.Com).

 

 

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