Terça, 28 de Setembro de 2021
36°

Poucas nuvens

Cafelândia - PR

Cultura Cafelândia, Hist-7

O legado dos bandeirante

Um exército de quatro mil integrantes a serviço das bandeiras paulistas destruiu a República dos Guaranis no Médio Oeste do atual Paraná.

30/07/2021 às 08h14
Por: Amanda Fonte: Alceu Sperança
Compartilhe:
O legado dos bandeirante

 

A ermida jesuítica Guarani de Nossa Senhora de Copacabana, localizada junto ao Rio Piquiri (estima-se que na futura cidade de Jesuítas), foi sede de uma vila indígena organizada entre 1627 e 1628.

A Copacabana paranaense durou pouco. Apoiados por espanhóis que não gostavam da proteção dada pelos jesuítas aos índios Guaranis, os bandeirantes desfecharam a partir desse período uma série de fortes ataques às populações do Oeste do Paraná.

As bandeiras não eram mais incursões de poucos exploradores. Acompanhados de batedores indígenas e milhares de guerreiros, movimentavam uma população do tamanho de várias cidades do atual Paraná.

Em 18 de setembro de 1628 partia de São Paulo a gigantesca bandeira de Antônio Raposo Tavares e Manuel Preto, formada por quatro mil homens, dos quais três mil eram índios, seguindo diretamente a Guayrá. Uma população equivalente à de Quatro Pontes atualmente.

 

Flechas pararam Manuel Preto

Manuel Preto escravizou grande parte da população indígena da região do Rio Piquiri. Ele retornou com suas bandeiras em diversas ocasiões e só foi parado em 1630, abatido a flechas.

Foi assim que já em 1632 nada mais restava da tentativa de civilização dos jesuítas no Guairá com os Guaranis (e também algumas tribos Jês) a não ser ruínas.

Com a captura de milhares e a fuga dos índios Guaranis que os jesuítas conseguiram proteger e levar às Missões do Sul, seus tradicionais inimigos Kaingangues passaram a transitar pela região com mais frequência.

“[...] os índios conhecidos como Coroados (...) que viviam no recesso das matas, em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, eram conhecidos como Guainá, Bugres ou Botocudos, de língua Kaingáng. Alguns deles que habitavam a orla das matas, haviam sido subjugados pelos criadores de gado vindos do sul e sobreviviam nos capões de mata, desde os campos de Guarapuava, Ivahy e Palmas até o Rio Grande do Sul” (Darcy Ribeiro, Os índios e a Civilização).

 

A recriação de São Paulo

Passou-se mais de um século de desinteresse pela região, que eventualmente servia de passagem a exploradores, até que São Paulo voltasse a pensar em tirar proveito dela.

São Paulo passou a pertencer ao Rio de Janeiro entre 1748 e 1765, ano em que voltou a figurar nos planos de Portugal por dois motivos: fazer frente às ofensivas territoriais espanholas na região do Prata e achar riquezas para financiar forças militares com a finalidade de contê-las.

Naquele mesmo ano de 1765 o governador de São Paulo, Luiz Antonio de Souza Botelho e Mourão, cumprindo instruções expedidas pela corte portuguesa em expediente assinado pelo Conde Oeiras (Pombal), determinara que fossem enviadas expedições aos sertões dos vales dos rios Tibagi, Ivai, Piquiri e Iguaçu.

A finalidade das incursos seria confirmar a posse portuguesa sobre o território, ao abandono desde a destruição, finalizada em 1640, das reduções jesuíticas e das povoações espanholas situadas às margens daqueles rios.

 

Novas roças e povoações

Começará, assim, uma nova história para o Oeste paranaense. O capitão de Auxiliares (futura polícia) da Vila de Iguape, Francisco Nunes Pereira, saiu em expedição, partindo de Curitiba em 13 de agosto 1769.

Seguiu até Nossa Senhora dos Prazeres (Iguatemi), à margem direita do Paraná, de onde desceu o Rio Paraná com a missão de explorar as correntezas do Rio Piquiri.

Trazia “80 praças de sua companhia de iguapenses e cananeianos” (Romário Martins, Bandeiras e bandeirantes em terras do Paraná). Pereira tinha como auxiliares os alferes José Rodrigues da Silva e Joaquim Pereira da Silva, o sargento Lucas de Souza Coutinho, “4 cabos, l tambor* e 71 praças, sendo 2 curitibanos, 2 paranaguaras**”

Logo depois Nunes Pereira explorava as margens do Piquiri, onde “lançou roças para fundar novas povoações”.

*Tambor – O militar encarregado das sinalizações.

**Paranaguaras – O gentílico que prevaleceu foi parnanguaras.

**

 

Posição aproximada do futuro Município de Cafelândia com a vila indígena de Nossa Senhora de Copacabana.

 

 

 

Siga o Jornal Integração nas redes sociais e fique bem informado:

Facebook: https://www.facebook.com/jornalintegracaopr/
Instagram: https://www.instagram.com/jornalintegracaopr/
Telegram: https://t.me/jinte

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias