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Crônica: Abobrinha por mandioquinha salsa

Por Rodrigo Alves de Carvalho

23/08/2021 às 07h35 Atualizada em 23/08/2021 às 07h39
Por: Rodrigo Alves de Carvalho
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Crônica: Abobrinha por mandioquinha salsa

O Everaldo não é muito chegado a legumes, na verdade detesta legumes. Porém, a única exceção e o que sempre pede para a Lucimara comprar no mercadinho do bairro às quartas feiras é a mandioquinha salsa.

- O sabor é único, o cheirinho é muito gostoso, além de derreter na boca!

Por isso, toda semana a Lucimara prepara a mandioquinha salsa cozida com cheiro verde e temperos especiais. Uma delícia!

Contudo, naquela quinta-feira, Everaldo teria uma surpresa que nunca mais esqueceria em sua vida.

Aquele cheirinho de mandioquinha salsa logo que adentrou pela porta da sala após mais um dia estressante de trabalho o fez esquecer seu chefe chato e aquelas dúzias de planilhas que teria que organizar no dia seguinte, e olha que o dia seguinte era uma sexta-feira.

Mas aquele cheirinho de mandioquinha salsa o fez flutuar sobre o chão. Tomou um banho rapidinho, porque sempre teve esse cuidado de tomar banho antes de comer para não entortar a boca. Quando era criança, Everaldo ouvia histórias de sua avozinha que prevenia seus netos a nunca tomarem banho após as refeições.

Quando saiu do banho, Lucimara acabara de preparar a mesa e rapidamente Everaldo se serviu generosamente com o arroz e feijão a transbordar do prato, um naco gigante de acém cozido na mostarda com folhas de louro e uma porção ainda mais gigante de mandioquinha salsa cozida.

Comeu tudo junto e misturado, só não repetiu porque comeu praticamente toda mandioquinha somente nesta primeira pratada.

- Nossa Lucimara, a mandioquinha estava meio diferente dessa vez. Você mudou a receita?

- Não meu amor. É que a mandioquinha salsa estava tão pouco que eu tive que misturar com abobrinha!

Everaldo ficou calado por alguns minutos. Após recobrar os sentidos pensou ter ouvido mal.

- Você misturou com o quê?

- Com abobrinha picadinha.

- Mas quanto de abobrinha você colocou?

- Só tinha uma mandioquinha salsa media, o resto foi tudo abobrinha.

- Mas você sabe que eu odeio abobrinha Lucimara!

- Você comeu tudo e queria mais. Como vem dizer que odeia abobrinha?

- Você me enganou Lucimara. Nunca achei que fosse capaz disso.

Everaldo chorou muito naquela noite e também chorou sobre as planilhas que teve que organizar no dia seguinte.

Depois disso nunca mais comeu mandioquinha salsa. Com medo de comer novamente abobrinha e novamente gostar.

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Sobre Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores. Desde julho de 2019 vem publicando suas crônicas no Jornal Integração. E-mail: [email protected]
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