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La Niña pode gerar impactos no desempenho da safra 2021-2022

O fenômeno é caracterizado pela diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico equatorial, o que provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura em todo o planeta.

01/10/2021 às 14h10
Por: Fonte: Agência de Notícias do Paraná
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Para o Paraná, essa situação se reflete em um alto risco de chuvas em quantidade inferior ao esperado e mal distribuídas ao longo da estação, intercaladas com longos períodos de estiagem. Foto: IDR
Para o Paraná, essa situação se reflete em um alto risco de chuvas em quantidade inferior ao esperado e mal distribuídas ao longo da estação, intercaladas com longos períodos de estiagem. Foto: IDR

A safra 2021-2022, que começa a ser semeada, pode sofrer interferências do fenômeno climático La Niña, já que deve permanecer ativo durante esse período. O fenômeno é caracterizado pela diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico equatorial, o que provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura em todo o planeta, é o que explica Heverly Morais, agrometeorologista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná — Iapar-Emater (IDR-Paraná).

Para o Paraná, essa situação se reflete em um alto risco de chuvas em quantidade inferior ao esperado e mal distribuídas ao longo da estação, intercaladas com longos períodos de estiagem. Variações bruscas de temperaturas do ar também são esperadas, assim como a ocorrência de temporais, ventos fortes, granizo e incidência de raios. Ainda segundo Heverly Morais, o clima pode atrasar a semeadura. 

“Nesse contexto de chuvas irregulares e abaixo do esperado para a estação, pode haver situações que atrasem a semeadura, causem germinação desuniforme das sementes, crescimento inadequado de plantas e que comprometam a produtividade”.

Além da convivência com a crise hídrica, ela alerta, ainda, para eventuais impactos de eventos meteorológicos extremos, como ondas de calor, em virtude das altas temperaturas previstas para o período da safra.

RECOMENDAÇÕES

Para as culturas de grãos – soja, milho e feijão – a agrometeorologista recomenda utilizar sementes de qualidade, diversificar as cultivares e atentar para que tenham diferentes ciclos, escalonar a semeadura nos talhões, não extrapolar a população de plantas recomendada pela assistência técnica e cuidar do equilíbrio nutricional e da sanidade das lavouras.

O cultivo e a incorporação de plantas de cobertura em sistema de plantio direto é outra prática enfaticamente indicada pela pesquisadora.

“Essa técnica melhora os atributos físicos e químicos do solo, favorece o aumento de infiltração da água, aprofunda as raízes da cultura, reduz a temperatura e a evaporação do solo e mantém a água disponível para as plantas em períodos de estiagem fraca e moderada”.

A pesquisadora lembra, ainda, que culturas como café, cana-de-açúcar, mandioca e frutíferas correm alto risco de serem prejudicadas pela má distribuição das chuvas ao longo da estação.

“As altas temperaturas podem ainda afetar as hortaliças, sobretudo as folhosas. Olerícolas demandarão muita irrigação — um desafio diante dos baixos níveis dos mananciais como rios, riachos, lagos e nascentes”.

 

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