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Os modos de vestir na colônia brasileira: as vestimentas nos contam histórias

As roupas do período traduzem as condições de vida, servindo também de um papel político-social, já que as vestes podem ser consideradas ícones de pertencimento e diferenciação as quais nos proporcionam considerável compreensão do passado e das características sociais.

01/12/2020 às 16h08
Por: Giovanna Trevelin
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"A vendedora de café torrado" mostra escravizadas com o "pano da costa" (Reprodução de Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil - Jean Baptiste Debret)

Com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, até então sua colônia, há a necessidade, devido a adaptação da própria corte, de algumas mudanças estruturais, visando um bom estabelecimento da vivência monárquica no país. Partindo deste contexto, há a abertura dos portos às nações amigas, que consequentemente proporciona a expansão do comércio no país e influencia no modo de vestir da população.

As roupas do período traduzem as condições de vida, servindo também de um papel político-social, já que as vestes podem ser consideradas ícones de pertencimento e diferenciação as quais nos proporcionam considerável compreensão do passado e das características sociais.

As formas de apresentação dos indivíduos nos contam histórias. Através da exploração documental de trajes e modos de determinado período de tempo, a nossa construção social/cultural nacional nos permite abordar vivências específicas e gerais, bem como perceber nossa identidade.

Analisar o modo de vestir configura-se em diagnosticar a cultura material da população que se instaurou, que construiu identidade, valores, e relações sociais na colônia portuguesa.

Os calçados, por exemplo, eram produtos de luxo, destinados a certa parcela privilegiada e mínima da população. Os calçados revelam uma hierarquia e revelam valores desiguais do período. As mulheres usavam sapatos de seda para transitar pelo Rio de Janeiro, e eles não resistiam a um segundo uso, portanto a demanda era alta e recorrente. O uso dos sapatos consiste em um distintivo social, o uso destes era restrito às pessoas livres, não podia ser usado por escravizados(as). Pode-se perceber distinções sociais também nas cores usadas nas roupas, exemplo disso são as obras feitas pelos artistas viajantes do período, que registravam essa vivência da população em suas pinturas. Houve um tempo em que o azul era uma cor raramente usada, por ser nobre, a cor mais cara de ser adquirida.

Os trajes dos escravizados nos levam ao conhecimento de que mantinham-se ligados à sua cultura, pelo uso de alguns elementos distintos. Nas escravizadas essa noção fica bem evidente, em suas características revela-se sua condição. A escravizada que assumia o papel de dama de companhia geralmente vestia-se com trajes da senhora da casa, já que essa vestimenta poderia demonstrar riqueza e status. As negras de ganho da família também tinham trajes específicos de uma escrava de ganho, destacando-se também os adornos que revelavam costumes de sua cultura e terra de origem. Os “panos da costa” são um exemplo dessa construção identitária a partir das vestes que desvendavam códigos próprios e contavam histórias à quem sabia “ouvi-las”/apreende-las visualmente.

A maior ruptura com o contexto histórico anterior foi na questão das vestes femininas, espartilhos que delineavam o corpo foram deixados de lado. A referência de veste feminina até então foi tomada por cores neutras e tecidos leves, que eram frequentemente molhados para aderir ao corpo e criar pregas semelhantes às esculturas gregas – aqui podemos ver grande herança do classicismo. Dizia-se que nessa nova adaptação se adotava o estilo do Império. Poderíamos dizer que também foi proporcionada pelo clima do país, totalmente distinto da Europa? Uma necessidade de mudança devido ao novo estilo de vida?

Podemos perceber a aproximação das vestimentas com a moda ditada pela França, porém adaptada ao contexto e às culturas que influenciavam a vida da população, uma vez que estamos tratando de um país (Brasil) composto por consistente diversidade cultural, se enquadrando em um modo francês de se vestir.

Temos que perceber o quanto o modo de vestir europeu na corte luso-brasileira colaborou para o enfraquecimento da identidade nacional do vestir – considerando esse “vestir” uma forma de comunicação cultural e pertencimento – visto que a preferência da população brasileira sempre tendia para a reprodução dos modos e valores europeus, o que confundiu o reconhecimento da população e a noção de pertencimento cultural, e que perdura até os dias atuais.

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Sobre Olá! Meu nome é Giovanna, sou formada em História, faço mestrado na área de História Social e minha pesquisa gira em torno dos estudos de gênero a partir da construção artística do Brasil do século XIX. Aqui, nesse espaço, tenho a intenção de compartilhar alguns dos meus estudos e pensamentos sobre a nossa história. Que tal embarcarmos juntos em busca da nossa identidade?! Contato: [email protected]
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