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Policiais que escoltaram Bolsonaro foram alvo de fake news e sofreram ameaças

Jair Bolsonaro acabara de ser internado quando se espalharam pelas redes sociais vídeos e fotos apontando pessoas como possíveis cúmplices de Adelio Bispo de Oliveira, autor da facada no abdômen do candidato à Presidência pelo PSL, no último dia 6, em Juiz de Fora (MG).
Uma junção de duas imagens apontava que um homem de barba, vestido de preto e com óculos escuros próximo de Bolsonaro na hora do atentado era o mesmo que posava para um retrato do lado da candidata à vice-presidente na chapa petista, Manuela D'Ávila (PC do B). Um indício, segundo a postagem, de que aquele era um criminoso infiltrado pelos partidos adversários na sucessão presidencial.
Outra fotografia indicava um homem com o punho fechado tocando o candidato ferido. A legenda incriminadora dizia que essa pessoa havia dado um soco quase no local da facada. 
Nos dois casos os homens que aparecem nas imagens são agentes da Polícia Federal que participavam da escolta e que prestavam socorro ao candidato ferido. A reportagem apurou que eles receberam ameaças de eleitores de Bolsonaro. A família de um deles, moradora de uma cidade do interior, também foi alvo de intimidação.
As notícias falsas contaram com a ajuda de autoridades ligadas ao candidato para se disseminarem com rapidez. O senador Magno Malta (PR-ES) ampliou a tese enganadora numa entrevista em frente ao hospital onde Bolsonaro estava internado, no sábado (8).
"Um cidadão de camisa marrom dá um soco nele por baixo e põe a outra mão em cima do lugar furado", diz Malta. "Um sujeito, na hora de colocá-lo no carro, vocês podem ver as imagens, ele fecha a mão e soca na última costela. A gente que é da luta sabe. A mão chega e entra batendo e em seguida ele abre a mão, estica e vai lá no local e você vê a hora que o Bolsonaro faz assim [se contrai] e sente uma dor diferente na hora de entrar no carro."
Malta ainda diz que aquele homem é tratado como suspeito pela Polícia Federal. "Todo mundo [da PF tem as imagens do homem de camiseta marrom]. A investigação está sendo bem feita pela PF e certamente o Brasil vai se surpreender com tanta canalhice, tanta sandice", diz o senador.
Coube ao deputado Eduardo (PSL-SP), filho de Bolsonaro e também policial federal, eliminar as suspeitas. Ele publicou em sua rede social que o homem da foto era da PF e que não foi um soco. "Sua mão estava mole, ele estava direcionando o corpo de JB (Jair Bolsonaro) para entrar no carro. A mão está fechada, mas na hora foi desse jeito mesmo, sem querer mesmo, podem acreditar. Fiquem tranquilos", escreveu.
Abalados com a repercussão, os sete policiais da escolta fixa da campanha de Jair Bolsonaro viajaram para Brasília em busca do apoio da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), entidade que representa a categoria. Na terça-feira, por intermédio da federação, eles foram recebidos pela diretora executiva da Polícia Federal, Silvana Helena Borges. No dia seguinte, houve um encontro com um psicólogo, que avaliou o impacto dos acontecimentos nos policiais.
Procurado pela Folha, Magno Malta disse que não errou ao ter dado entrevistas apontando o dedo para um dos agentes.
"Eu realmente busquei informação, chamei a atenção, até que se apurou aquilo tudo. Você não pode esquecer que quem matou Indira Gandhi foi um segurança. Você tem que desconfiar. Achei que fosse um cidadão comum, depois me disseram que era um agente da PF. Mas eu disse que mesmo assim tinha que checar, e me lembrei desses grandes estadistas, atingidos por gente que estava nas costas deles: Indira Gandhi, Yitzhak Rabin", disse Malta.
O senador se dispôs a visitar o agente da PF que passou a ser ameaçado após a repercussão nas redes sociais.
"Não cometi nenhum erro, não quis prejudicá-lo, fui atrás do fato para descobrir se era verdade ou não. Não sabia do que você está me falando. Se tiver necessidade, gravo um vídeo, vou visitá-lo", completou.

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